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''NARUTO'' ANIME

O famoso autor ''Masashi Kishimoto'' deu vida ao anime ''naruto'' no ano de 2002, se afiliando com a importantissima e bastante conhecida ''TV tokyo'', o anime ganhou proporções enormes em frente ao seu puplico jovem, sendo assim um dos animes mais conhecidos no mundo.
A historia se passa em uma das cinco maiores vilas do mundo ninja, cuja o nome é konoha (vila da folha), durante um ataque colossal do temido demonio Kyuubi (raposa de nove caudas), o 4º Hokage (Minato Namekaze) selou o abominavel demonio dentro de Naruto Uzumaki, sua unica escapatoria, seu filho, porem a salvação da vila custou muito na vida de naruto, a morte de seus pais, minato Namekaze e Kushina Uzumaki , como se não bastasse, naruto ainda fora menosprezado por todos e totalmente isolado da sociedade, vivendo em uma vida de perdição.
Mas agora naruto se livrou da escuridão que o dominava por total, graças ao time sete, constituido por, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha e Kakashi Hatake, não só eles, mas tambem seus diversos e importantes amigos que os ajuda a enfrentar seu longo caminho de se tornar o maior ninja de sua vila, um Hokage.
''NARUTO SHIPPUDEN'' ANIME

O ja muitissimo conhecido autor ''Masashi Kishimoto'' deu continuação a seu maior invento, ''Naruto shippuden'', o anime teve seu inicio em 2007, atendendo sua demanda, tendo uma grande repercussão no mundo otaku.
A historia se passa depois da longa jornada de dois anos e meio de treino de Naruto Uzumaki, que se surpreende ao ver o quanto o novo time sete e seus muitos amigos mudaram, alem disso busca pela libertação de seu melhor amigo, Sasuke Uchiha.
Mas algo novo ira aflingir a vida desses surpreendetes ninjas, e o novo, remoldado time sete tera um longo caminho pela frente, erguido por uma maligna organização, que ira revolucionar o mundo ninja, Akatsuki.
Olá, Me chamo Izzi; Izzi Aoki... Bom, oque dizer? Sou apenas um garoto que fora exilado de sua cidade natal, (o motivo?) após conjurar os impertinentes e bastante destrutivos poderes desta roupa que tanto enojo; não sei ao certo se isso poderia ser denominado: ‘’roupa’’... De principio não suspeitei de nada e... Quantas vezes desejei que tudo fosse um insano pesadelo, quantas vezes insisti em fechar os olhos, ansiando para que tudo se tornasse normal novamente, mas... O máximo que meus olhos me proporcionaram, foram lagrimas incessantes - como de uma criança tola - porém, aprendi desde cedo, que minhas lagrimas não possuem poder, sei que devo lutar... Mesmo que meus punhos flagelados supliquem por um pouco de conforto, ainda sou obrigado a permanecer relutante e fita-los com todo aquele receio.
Ainda ouso a voz ressoar em minha mente, nunca me deixa em paz... É sutil, mas odiável; roupa maldita...! E como se não basta-se, ainda sou alvo incansável de assassinos e psicopatas, que diferente de mim, lançam seus olhos de cobiça sobre a maldita Akuma no yõna, que se recusa a me libertar; a mesma sempre diz que ‘’nossos destinos e princípios estão initerruptamente selados...’’ a hesitação toma minhas veias quando penso em tal coisa.
Ah... Meu pai? Bem, o que dizer de uma pessoa que nem ao menos conheci? A julgar pelos murmúrios do recinto que vivi, ele pareceu ser o mais conturbado temor de todas as instâncias que conheço; atordoou e muito ate mesmo a inigualável e triunfante ******, também apelidada de: Império impérvio.
Mas... Agora, não tenho outra opção a não ser... Lutar, pois o destino permanece a me forçar contra o meu desejo, entretanto, devo nadar contra maré, para selar por minha vida e, pela vida dos que me rodeiam agora...
Código 21
1º capitulo: Voz sutil, porém, odiável... Maldita voz!
Eu corria inquieto... Fugindo de algo que não se opusera sobre minha visão; mas Sentia medo, sentia que algo distinto me envolvia gradativamente; meus atos se perdiam no breu total, meus olhos estampavam medo e perdição... Fosse o que fosse, possuía a ousadia de desmembrar minha mente e, deixar-me nu! Estava por todo lado! Porém... Não estava em lugar algum...
Enfim acordei, graças ao despertador; 06h10min da manhã. Encontrava-me sentado sobre a cama, ainda extasiado, atordoado com o pesadelo bastante distinto, mas o sentimento de medo e dominação que sentira a pouco já se esvaía; meu alivio era imenso, tudo aquilo não passava de um simples e inofensivo sonho, ou melhor, pesadelo.
Mas minha vida também não se difere muito de um pesadelo, depois do falecimento de meu pai e a mudança repentina de cidade, fui forçado a deixar meus amigos, meu quarto e... Todas as coisas das quais me apegara, incluindo minha escola.
Ah... Hoje será meu primeiro dia de aula na escola Legion, admito que nem ao menos estou animado – além de eu ser bastante antissocial – sei que meu único amigo será meu primo Matt; não o vejo faz um bom tempo, desde as ultimas férias de verão.
Levantei-me cambaleante e segui direto para o banheiro, me apoiando sobre o corrimão da escadaria. Durante o banho, eu fitava o azulejo reluzente; ainda pensando no pesadelo atordoante... Eu nunca havia sentido nada parecido, meus tabus, meus pensamentos mais ocultos, minha intimidade... Minha identidade havia sido revelada...
Em seguida escovei os dentes e fui me trocar. Lá estava eu, fitando-me no espelho com o olhar mais amofinado possível, meu desanimo era evidente.
Calçado com um tênis all star jeans preto, trajado com uma calça jeans azul escura, uma camiseta cinza de colarinho azul marinho e o emblema vermelho: Legion, estampado no peito, e sobre a camiseta uma jaqueta de moletom listrada, de cores azul e preta com o zíper aberto, e um capuz muito pouco utilizado por mim. E meus cabelos negros esvoaçantes de mechas amarelas, de vez em quando sugeriam uma franja inquieta sobre os olhos.
- Venha tomar café, Andrew! – a voz de minha mãe ressoou da cozinha, sugestiva.
- Não estou com fome! – respondi enquanto ajeitava minha franja insistente.
- Coma ao menos um pouco!– insistiu ela.
Ignorei a insistência puxando a alça de minha mochila do guarda roupa, já a ajeitando nas costas, logo seguindo para cozinha.
- Coma um pouco Andrew, as panquecas estão incríveis! – minha irmãzinha de apenas cinco anos disse num tom estridente, enquanto se empanturrava de panquecas carameladas; e o cheiro de café e chocolate quente com canela exalava por toda a cozinha. Afaguei os cabelos castanhos da pequena Lucy e respondi sorridente, escondendo meu verdadeiro ressentimento:
- As panquecas parecem mesmo incríveis! Mas não estou com a mínima fome.
- Esta bem, mas se alimente na escola! – advertiu minha mãe.
Assenti, dando de ombros, seguindo para o inevitável; a escola.
X
Eu caminhava lentamente pela vizinhança, o caminho a percorrer ate a escola se mostrava um pouco extenso, mas nada que me impedisse de ir a pé. As ruas das quais eu atravessava se encontravam vazias e, os únicos sons que conseguia ouvir eram o bater de asas de pombos comilões, e o chaqualhar de folhas inquietas ao vento, que aos poucos foram se ausentando, deixando o local cada vez mais desolado e... Não sabia o verdadeiro motivo, mas, a desolação começou a ganhar espaço dentro de minha mente, meus temores de um conceito obscuro surtiam efeitos devastadores, me afligiam vorazmente... Foi então que um súbito ressoar de voz acariciou meus ouvidos, murmurando:
- Vinte e um... – a voz parecia se infiltrar em minha mente, como um pensamento... Não sei por que, mas, a voz coincidia com o ‘’pesadelo distinto’’.
Efetuei uma parada abrupta ao ouvir a tal voz e, meus olhos sem que eu permitisse, se dirigiram a minha retaguarda, trêmulos, em busca do autor da voz.
- Vinte e um... – a voz tornou a ressoar.
Meus olhos se arregalaram, e minhas pupilas por vez, dançaram inquietas perante minha perplexidade ao perceber que eu estava sozinho, isto é, de quem era a voz!?
Uma névoa bastante opaca começava a inundar o local, me envolvendo cada vez mais no temor daquela voz sutil e autoritária, irreal. A esse ponto, o medo me fazia estremecer juntamente ao frio das ruas de São Paulo, em pleno dezembro!
Um impulso de calor e transparência do medo me atingiu como se alertasse um perigo eminente, me fazendo correr através da névoa envolvente; eu balançava os braços no intuito de abrir espaço entre à neblina! Totalmente eufórico e sem rumo!... Me lembrando de imediato do pesadelo, que agora se tornara real... Mas diferente do pesadelo, eu não iria despertar em minha cama...
Durante os giros sucessivos de meus olhos, pude enxergar um resquício de luz em meio toda a neblina; corri ensandecido em direção à luz que indicava ser a saída! Enquanto que a voz... Continuava murmurar o número sem sentido em minha mente. Enfim dispersei o ultimo manto de neblina com as mãos! Com pensamentos amedrontantes rondando minha cabeça.
Minhas mãos se tornaram remanescentes, saídas à frente da névoa estranhíssima, e foi logo após minha libertação – ou paranoia – que me dei conta de que lá estava à escola Legion, também envolta com vestígio de neblina, mas os muitos alunos em constante movimento, seguindo todos para à escola, fez sentir-me seguro; meus olhos verdes conturbados já recebiam um fio fraquejante de luz solar, do qual tanto ansiavam; sorri como um tolo, esquecendo-me momentaneamente dos problemas cravados em meu peito, sentia-me apenas aliviado.
Risos e murmúrios chegaram aos meus ouvidos, de repente, vinha de um grupo de garotas que passavam ao meu lado, obviamente as risadinhas tinham como motivo, o meu estado drástico; minha jaqueta encontrava-se quase que aos pés! Um de meus tênis encontrava-se de cadarço desamarrado, e meus cabelos – como eu já disse – insistiam numa franja inquieta sobre os olhos. E minha mochila, sem que eu percebesse, jazia ao meu lado, sobre o asfalto.
Ajeitei-me, aconchegando minha mochila sobre as costas mais uma vez e dando um jeito em meu cabelo – como sempre –, segui por uma escadaria, da qual se estendia ate o portão principal da escola Legion, onde este se estampava o nome do mesmo a cima da torre principal.
Dei-me conta de que nunca havia entrado naquela escola – ela parecia imensa! – não saberia o que fazer lá dentro; logo fucei minha mochila tentando tatear um panfleto que continha os horários das aulas.
- Cadê? – sussurrei, durante minha procura incessante pelo panfleto. – Achei!
Passei os olhos, rápido sobre o panfleto e, antes que eu pudesse dar o primeiro passo...
- Acho que não vai precisar disso – afirmou uma voz à direita, familiar.
Me virei rapidamente e... Para minha surpresa, era Matt, meu primo.
- É bastante grande né!? – perguntou Matt, espontâneo, junto a uma respiração ofegante. – Mas conheço tudo como a palma da minha mão! – afirmou ele estendendo o braço e libertando um sorriso, como gesto de apresentação.
- Grande? Isso é imenso! – também estendi o braço, afagando sua mão.
Senti-me mais confortável, agora Matt estava lá, comigo. Quase um ano sem o ver, e algumas mudanças são evidentes; seus cabelos cor acaju escorridos haviam crescido, estavam quase tampando seus olhos negros; ele também havia crescido alguns centímetros, como eu. Trajava uma calça jeans preta, um calçado esportivo da nike, e a camiseta – obrigatória – da escola Legion, e uma jaqueta de moletom azul escura, presa a sua cintura.
- Porque está tão ofegante? – indaguei, numa tentativa de puxar assunto.
- Vim de bicicleta, você sabe, não moro muito perto daqui – respondeu ele enquanto limpava o suor da testa com o antebraço.
- Eu também vim às pressas, por causa... – pigarreei antes que pudesse terminar a frase, eu não poderia falar sobre o incidente que acontecera há pouco; eu não falaria sobre as vozes, ele acharia que sou louco!
- Por causa... Do que? – indagou ele, espreitando os olhos.
Meus olhos giravam por todo o âmbito, procurando uma desculpa fácil.
- Ansiedade! – eu disse repentinamente – Isso...! Eu estava tão ansioso que... Vim correndo para escola!
- Estranho... Você não é disso, achei que estava pra baixo, com todas essas mudanças.
- Mas então, não vai me apresentar a escola? – sugeri de repente, tentando ignorar o assunto que ele entrara.
- Ah, claro! Ainda temos vinte e um minutos ate a primeira aula. Vamos! Vai gostar da escola.
- Acredito que sim – supus em um tom de sarcasmo.
X
Andamos pela escola observando tudo que cabia ao tempo, o colégio em si era composto por três torres, cada qual constituída por cinco andares, e envolta dos belos prédios, se estendia um único muro, que além de cobrir o espaço das torres, também escondia um recinto de gramado verde vivo, onde se encontrava uma quadra poliesportiva, mesas e bancos de madeira maciça, e uma pequena lanchonete ao ar livre, da qual vendia diversas guloseimas – onde inclusive Matt comprou algumas barras de chocolate.
X
Fui ao banheiro após Matt ter sumido entre os corredores da escola, foi quando o sinal retiniu, lavei as mãos, ligeiramente, e saí às presas do banheiro; infelizmente minha primeira aula era de história, na terceira torre e, eu ainda estava no primeiro prédio. Iniciei uma corrida – desesperado para chegar ao terceiro prédio – e, para maior desespero, notei que não havia mais alunos por todo o local... E no final das contas tive que usar o panfleto com os horários e locais das aulas, ‘’Matt, seu tolo!’’ pensei, enquanto corria, pois ele dissera que me levaria a minha sala, mas o resultado não fora o mesmo.
- Droga, droga, droga... – eu repetia minha indignação, enquanto corria entre tropeços e derrapadas.
Subi algumas escadarias, enveredei sob alguns corredores e quando me dei por si, já me deparava com a porta da sala 21, a sala da disciplina: história – que por sinal, encontrava-se aberta. Mas... Faltava-me coragem, já me sentia acanhado de entrar em uma sala nova, agora entraria atrasado, com um grande potencial de a professora chamar minha atenção.
- É melhor que eu entre agora, caso contrario, poderá ser ainda pior... – sussurrei para o próprio, espreitando os olhos e tomando coragem o bastante para atravessar a porta, e quando enfim o fiz, meus olhos foram atraídos pelos chamativos cabelos armados da professora, negros, cacheados, esvoaçantes; ela se encontrava virada, escrevendo sobre a lousa, vi ali uma vantagem, poderia ir ate uma carteira, sorrateiramente.
Mas havia um, porém... Quando comecei minha caminhada sutil, a impertinência de um aluno subiu a boca, libertando as tais palavras:
- Chegando atrasado, hein! Nada bom para um novato! – exclamou o garoto de cabelos loiros escorridos e semblante mórbido (não mórbido no sentido enfermo, mórbido no sentido de maníaco) atraindo de imediato a atenção de todos, com aquele sorriso malicioso e perturbador.
- Dylan! Pode me responder uma pergunta? – fitou-lhe a professora, ríspida. – Quem acha que é a professora aqui nesta sala? Suponho que seja eu, não é?
Pela pergunta nada sutil que ela indagara a ele, já dava pra ter uma ideia da personalidade do aluno e, da professora. Dylan revirou os olhos, junto a um suspiro de inquietação, mas se manteve calado.
- Você é Andrew, o aluno novo, não? – fitou-me ela de olhos negros, deixando que o óculos fundo de garrafa escorregasse ate a ponta de seu nariz, para ter uma visão mais clara de meu rosto, enquanto eu me mantinha parado, sem maiores atos. – olá! Me chamo Cate, professora Cate. Acho melhor que vá se sentar a aula já começou há algum tempo. – advertiu ela junto a uma seriedade amedrontante.
- Com licença – eu disse passando ao lado dela, sem lhe dirigir o olhar.
Segui por entre as primeiras carteiras, tentando chegar às do fundo, mas como o azar tem e sempre terá certa quedinha por mim, não pude evitar... Pisei no pé de um dos alunos, me lançando de imediato para trás e, esbarrando no material escolar de outro. Quando me dei conta, cadernos e livros jaziam sobre chão; agachei-me para recolher os materiais, e quando o fiz, virei-me para entrega-los ao devido dono.
- O... Oi – gaguejei , surpreso.
- Oi! – exclamou ela, numa voz viçosa, esbouçando um lindo sorriso. – Obrigada.
Engoli em seco, e respondi rápido, com os olhos paralisados em fita-la:
- Não... Não foi nada. A-afinal, a culpa foi toda minha.
- Se quiser pode se sentar aqui atrás, está vago – disse ela gesticulando com a cabeça, mostrando-me a cadeira vazia a sua traseira.
- C- claro...! Valeu...
Sentei-me um tanto desajeitado sobre a cadeira, peguei o material que precisava e acomodei minha mochila ao lado.
Eu deveria prestar atenção na estranha figura da professora Cate enquanto dava aula, mas eu permanecia a fitar a garota a minha frente; seus cabelos negros tomavam meu olhar numa leve e perfeita ondulação que levava consigo algumas mechas em rosa, como sua franja. Aqueles olhos negros reluziram tanto no momento em que me dissera: ‘’oi’’; Não havia nenhum problema em observa-la, ela não saberia mesmo que meus olhos a perseguia com tanta intensidade, afinal, ela não podia me ver, não é?... No fim das contas à escola nem parecia tão ruim.
- Por que... Esta me olhando com essa cara? – perguntou ela, a garota a minha frente! Rendendo-me um tremendo susto! Minha vergonha era avassaladora, ela havia visto minha cara de tolo a observando.
- M-mas, como...? – balbuciei, sem controle da minha fala.
- O espelho – respondeu ela de imediato. Foi só então que percebi que havia um pequeno e esférico espelho sobre sua mão esquerda, do qual suponho que ela estivesse talvez ajeitando o cabelo e, por ironia do destino, ela tenha me visto a observando; minha vontade era de desaparecer!
- S-sabe... T-tem... Uma coisa no seu cabelo, por isso eu estava olhando e... – eu menti, tocando os cabelos dela. – deixe que eu tire – passei a mão sobre seus cabelos e, fingi ter tirado algo.
- Conseguiu tirar? - perguntou ela, alarmada.
- Sim – respondi acanhado.
- Oque era?
- Na... Nada muito importante, na verdade nem sei ao certo, talvez fosse um fiapo. – respondi junto a um sorriso tolo e vergonhoso.
- Obrigada assim mesmo – então ela tornou a libertar aquele sorriso cativante.
Eu assenti, sorrindo como um tolo, novamente.
Mas logo o transe de meu sentimento inexplorado se quebrou devido à voz estridente da professora Cate.
- Como podem ver, temos aqui uma... Relíquia... – A professora tomou a frente, mostrando em suas mãos, um objeto bastante estranho, uma pequena pedra de mais ou menos cinco centímetros, que possuía certa semelhança com uma água-viva; era uma forma retangular, de diagonais arredondadas, e na extremidade a baixo se estendia uma bifurcação, da qual se assemelhavam a três pequenos tentáculos (como assim dizer). – Alguém sabe me dizer o nome deste objeto?
No exato momento em que ela fizera tal pergunta, uma dor de cabeça terrível me atingiu... E... Aquela voz perturbadora voltou a sussurrar palavras. Mas dessa vez dizia:
- Imix’... Imix’... Imix’... – a voz repetia a palavra estranhíssima, me causando dor, me forçando a dizê-la em alto e bom tom!
- Alguém sabe como se chama? Alguém? – eu ainda conseguia ouvir a professora repetir a pergunta ao fundo, pois a voz em minha mente me forçava a ranger os dentes, para impedir a liberdade da palavra. – Como de esperado, irei...
- Imix’! – exclamei! Dizendo o que a voz me pedia.
- Exatamente... – a professora fitou-me um tanto impressionada, exatamente como eu me sentia. – Parece que sabe um pouco sobre o assunto; pode explicar a sala s.r. Saunders?
- Calendário... Imix’... Ik’... Ak’b’al... K’an... – a voz suave e ao mesmo tempo perturbadora continuava a sussurrar palavras em minha mente, forçando-me cada vez mais a dita-las.
Pigarreei, franzindo o cenho, e esfregando a mão sobre a testa, a dor... Era muita; eu precisava ditar o que a voz me dizia.
- Pode nos dizer? – insistiu a professora.
- Você... Esta bem? – perguntou a garota a minha frente, esbouçando um semblante preocupado.
- Sim, eu posso dizer – declarei. Eu realmente podia explicar; tudo vinha a minha cabeça; a voz não cessava; flashes realistas de imagens indistintas afligiam minha visão.
- Pois então, diga – ordenou Cate.
- Imix’! Um dos vinte hieróglifos que nomeiam os treze dias do calendário tzolk’in... O sagrado – mais uma pontada de dor me atingiu em cheio, me fazendo grunhir, porém, não poderia parar... Era o que eu sentia, deveria continuar ate o fim – Imix’, Ik’, Ak’b’al, K’an, Chikchan, Kimi, Manik', Lamat, Muluk, Ok, Chuwen, Eb’, B’em, Ix, Men, Kib’, Kab'an, Etz'nab', Kawa e Ajaw - recuperei o folego e tornei a falar. – um dos artefatos mais importantes da era humana, que combinado com o calendário haab’ que dispõe de 18 meses e cinco dias, que são eles: Pop, Wo’, Sip, Sotz’, Sek, Xul, Yaxk’in’, Mol, Ch’en, Yax, Sak’, Keh, Mak, K’ank’in, Muwan, Pax, K’ ayab, Kumk’u, os dezoito meses e Wayeb’, os cinco dias. Objetivamente... A junção dos dois calendários trás á tona, um calendário cujo ciclo total, do seu ponto de partida, é de 52 anos... – de vez em vez a dor tornava-se mais forte, e eu havia começado a acelerar minha fala, entre grunhidos e caretas faciais. - a idolatrada e denominada: contagem longa... E... A contagem chega ao fim na data: 21 do 12 de 2012... – não sabia por que, mas... Aquelas palavras me fizeram estremecer por dentro. – Isso significa um recomeço, ou seja... Uma nova era – balbuciei para si mesmo.
Ao termino do meu estranhíssimo discurso, a dor já havia cessado, e o que havia restado... Fora o silencio em toda sala. Todos se encontravam boquiabertos, a professora me fitava com olhos questionadores, como também todo o resto.
Porém, o silencio foi quebrado pela voz impertinente de Dylan, que declarou:
- Parece que temos mais um nerd na sala! – exclamou ele abruptamente, esbouçando um terrível sorriso malicioso.
Risadinhas e murmúrios de mau gosto surgiram em alguns pontos da sala.
- Impressionante – a professora parecia surpresa, ignorando o comentário nada legal de Dylan. – Mas... Agora devemos continuar a aula, muito obrigada pelas informações, Andrew – então ela se concentrou em dar maiores informações sobre o povo maia a todos da sala.
Desde então a aula prosseguiu normalmente, mas o mico que eu havia passado ficaria para historia, literalmente. Nem ao menos consegui prestar atenção nas palavras da professora, meus pensamentos deixavam-me constrangido e, não era só aquilo... Todos os problemas haviam desabado no mesmo instante na minha vida... Sinto falta dos meus amigos, minha antiga casa; sinto falta ainda mais do meu pai. E a pergunta que não paro de indagar é, porque eu? Porque tudo tinha que cair sobre mim...? Eu compreendo que parece ser um pensamento infantil – tolo, eu sei – mas é a realidade em que eu vivo. É como dizem: sentimos falta de algo, quando o mesmo se foi... Parece clichê, mas as coisas mais simples, são as que mais me lembro; o meu pai no escritório de casa... Mesmo sem muito tempo ele...
Interrompi meus pensamentos ininterruptos, eu sabia que tais pensamentos voltariam, mas por ora, eu deveria parar; eu estava quase em prantos; meus olhos já haviam testemunhado lagrimas demais, eu não faria tal coisa de novo.
E agora além de tudo, presumo que não tenha começado com o pé direito nessa nova escola; meu animo nunca foi dos maiores em questão a ela – admito – mas é inevitável negar que, eu ainda possuía esperanças na minha nova vida e, começava por aqui...
Enfim o sinal da escola sibilou para troca de aula, guardei rápido o material na mochila e me levantei.
- Oque houve com você? – perguntou a garota de mechas amarelas, sem me dirigir o olhar; antes que eu pudesse dar o primeiro passo. – Quero dizer... Tinha algo de errado. – então ela me fitou ainda sentada sobre a cadeira.
- Você viu, só banquei o nerd... Não me leve a mau, eu... Não deveria ter dito nada – eu disse desviando o olhar.
- Não foi apenas isso... Eu estava aqui, eu pude ver seu rosto, você parecia relutante.
De imediato me ocorreu um calafrio na espinha, meus olhos se arregalaram voltando a imaginar a voz horripilante; e como ela havia percebido minha relutância contra a mesma?
- Desculpe a petulância, só achei que quisesse falar sobre o assunto – ela disse levantando-se, acomodando a alça de sua bolsa sobre o ombro.
- Mas é verdade, não há nenhum problema comigo – eu disse esbouçando um sorriso simpático. – mas obrigado por se preocupar.
- Não foi nada! – ela como sempre, libertou um sorriso animador.
Ela prosseguiu com alguns passos e quando se encontrava a uns três metros a minha frente, parou subitamente e disse:
- Ah! Já ia me esquecendo – então ela me olhou de ombros e disse: – Meu nome é Lince; Lince Lewis.
Sem que eu permitisse, brotou um sorriso em meus lábios.
- Prazer! Andrew Saunders.
- Vamos pessoal! Não temos muito tempo ate a próxima aula! – advertiu a professora, pois ainda havia alguns alunos na sala; logo todos seguiram para fora, e eu estava logo atrás da Lince.
Quando enfim estava quase passando pela porta de saída, a professora me interrompeu dizendo:
- Andrew Sauders! – chamou-me ela. – Fique, quero falar com você.
Virei-me e segui ate sua mesa perto a lousa, onde ela se encontrava apoiada sobre a mesma.
- Pois não? – sugeri que ela continuasse.
- É sobre as informações que você forneceu, eu...
- Ah! Eu sei que a professora aqui é você... Foi o que você disse ao Dylan – eu dizia alarmado. – me desculpe se eu atrapalhei sua aula. – então mordi os lábios, receoso.
- Não, nada disso! Eu ia dizer que você foi ótimo! – sorriu ela. – Francamente, quantos alunos sabem tanto sobre a história maia como você nos mostrou saber? Só queria lidar os parabéns!
- Ah... – eu disse ainda confuso. – Muito obrigado, não sei como agradecer.
- não é preciso, mas acho melhor que vá para sua próxima aula.
Corri as presas para a sala da minha próxima aula, a sala 12, no mesmo prédio que eu me encontrava. Por sorte cheguei à sala, ainda dentro do tempo. A aula de geografia prosseguiu perfeitamente, menos a parte de eu estar ‘’sozinho’’... Quer dizer, sem o Matt ou a Lince. Mas o resto prosseguiu normalmente, aula após aula.
-... Isto é, raios gama são apenas ondas eletromagnéticas em altíssima frequência, como vimos aqui, uma supernova também é capaz de produzi-las. – dizia o professor de física, milésimos de segundos antes de o sinal do recreio sibilar.
Ajeitei minhas coisas sobre a mesa e segui para a segunda torre, onde no primeiro andar se localizava o refeitório; entrei na fila para o almoço, o prato do dia era: arroz, feijão, peixe empanado, batatas fritas e uma caixinha de suco natural com o extrato de laranja, e como acompanhamento, uma salada de alface com tomates picados, ervilhas e rodelas de palmito, e uma salada de frutas, como sobremesa.
Passei os olhos pelo refeitório, procurando uma mesa vazia para me sentar, quando ouvi ao fundo o meu nome, olhei brevemente... Era Matt.
- Andrew! – chamou-me ele, acenando com as mãos atulhadas de barras de chocolate (seu maior vicio, por sinal), para que eu fosse ate sua mesa.
Coloquei a bandeja do almoço sobre a mesa, e quando estava prestes a me sentar... Chah! Um flash branco fortíssimo surgiu, ofuscando minha visão; coloquei as mãos enfrente a meus olhos, ainda sem entender o que havia ocorrido.
- Bom, agora já tenho uma foto do novo Geninho! – exclamou uma voz espontânea a minha esquerda, enquanto eu esfregava os olhos. – Olá! Pode me chamar de Chuck.
- Oque está havendo? – perguntei para o mesmo que se apresentara; um garoto afro-americano de boina xadrez, preta e branca.
- Me chamo Chuck Miller, fotografo e diretor do jornal escolar – foi quando percebi que em sua mão direita pendia uma câmera profissional.
- Oque!? Eu não vou parar no jornal da escola, não é?! – perguntei, ríspido.
- Eu esperava que sim, você ficaria na segunda pagina, só não lhe dou à primeira, pois o garoto que bebeu água do vaso merece a tal – dizia tudo mantendo um sorriso inabalável. - O garoto maia... Seria o seu artigo! – disse ele gesticulando com as mãos, como se imaginasse as palavras flutuando no ar.
- Vai com calma Chuck, resolvemos isso depois do almoço – sugeriu Matt enquanto lambia os dedos lambuzados de chocolate.
- Ah, me desculpe, não me apresentei, meu nome é Andrew; Andrew Saunders.
- Prazer – respondeu Chuck.
Enquanto almoçávamos tive tempo de sobra para explicar ao Matt o que havia acontecido na aula de história, onde Chuck também se encontrava na mesma hora do ocorrido. E como de esperado, Matt riu como um idiota, gargalhadas, que por sinal, não pretendo relembrar.
Após o almoço, tivemos a ultima aula do dia, a exaustiva disciplina: educação-física; que passara relativamente rápida. Durante o caminho para casa, meus pensamentos não paravam de pairar sobre as lembranças da Lince, mesmo que meu dia tivesse sido bastante estranho – exageradamente estranho, afinal - por um motivo que não compreendo, minha mente estava presa a ela.
Enfim eu tinha chego a minha casa, ainda cabisbaixo. Passei pela sala e dei-me de cara com Abigail – a babá de minha irmã Lucy – uma senhora rechonchuda, de uns cinquenta e cinco anos e cabelos pretos encaracolados ate os ombros. Desde o falecimento do meu pai, minha mãe anda trabalhando demais, já se precavendo, o dinheiro que ele deixou irá acabar alguma hora, devido isso, Abigail fora contratada para cuidar da Lucy durante os cinco dias da semana.
- Olá, Andrew – disse Abigail enquanto varria o chão.
- Oi... – respondi retraído.
- Como foi o primeiro dia na escola?! – perguntou ela, espontânea.
- Nada muito animador... – respondi receoso, desviando o olhar, enquanto subia as escadas.
Passei enfrente ao quarto da Lucy, onde esta brincando com algumas de suas bonecas de pano – pouco carismáticas. Segui ate meu quarto, fechei a porta e lancei a mochila sobre a cama, deitando sobre a mesma.
Permaneci ali por alguns minutos, fitando o teto. E o inevitável pensamento veio à tona mais uma vez... As lembranças do meu pai, não paravam de passar sobre meus olhos. Ainda me lembro das tardes com ele, quando eu chegava da escola e, a primeira coisa a fazer era, correr direto para o seu escritório de trabalho e, ele sempre estava lá! Digitando histórias no computador, das quais eu apreciava muito... ‘’ como foi a escola, Andrew!?’’, ainda ouso sua voz robusta ressoar, vivida, e ainda enxergo seu sorriso espontâneo, do qual eu sabia que era verdadeiro. Ele sempre esteve lá, do meu lado, me confortando, e me reconhecendo; ele sabia de fato quem eu realmente era, sinto falta de alguém que me reconheça novamente...
Quando me dei conta, lagrimas desobedientes já escorriam sobre meu rosto, hidratando meus olhos por completo, tentei seca-las com o antebraço, mas novas lagrimas brotavam de novo e de novo...
Tomei um banho demorado e voltei ao meu quarto, permaneci lá por mais algum tempo, teclando no velho computador do meu pai, do qual ele escrevera alguns livros... Infelizmente nunca fizeram muito sucesso, mesmo que particularmente eu achasse suas crônicas incríveis!... O dinheiro dos livros que ele publicara (mesmo que não fosse muito), foi o que sustentou nossa família ate após o seu falecimento, mas, não é muito e, minha mãe já começou a trabalhar para evitar os tempos difíceis... Em minha opinião esses tempos já chegaram...
Notei que através da minha varanda, os raios solares haviam se enfraquecido – o sol estava prestes a se pôr – foi quando um ‘’toc, toc’’ chegou aos meus ouvidos, à porta rangeu e abriu-se de imediato, e lá estava Lucy, sorridente, dizendo que minha mãe havia chegado e que eu devia descer ate a cozinha para tomar o café da tarde.
- Já estou descendo, só vou desligar o computador! – respondi a Lucy, com um sorriso sutil.
- Esta bem! – berrou ela entre derrapadas de uma corrida inquietíssima ate a cozinha.
Desliguei o computador e segui ate a porta entreaberta do quarto; no instante em que toquei a maçaneta o computador sibilou, estranhamente, parecia estar se reiniciando, mas eu tinha certeza de que o havia desligado. Retornei rapidamente e o desliguei de novo, seguindo ate a porta, porém, por impertinência dos eletrodomésticos a televisão também ligou de repente; estava sintonizada no canal 21, logo no 21! – um número que certamente não me trás belas lembranças – O canal não distinguia uma imagem ao certo, o mesmo se resumia a um turbilhão de pingos preto, branco e cinza numa inquietação que por um breve momento me fez lembrar dos clássicos filmes de terror – como: O Chamado – portanto, empunhei o controle remoto e a desliguei sem pestanejar, e logo segui ate a cozinha, afinal, eu não ansiava pela aparição da Samara – a garota do poço.
Desci as escadas e fui ate a cozinha, minha mãe se encontrava virada em frente a pia, terminando um patê, enquanto Lucy ao seu lado tentava incansavelmente – na pontados pés – pegar um punhado de patê com os dedos.
- Ei, ei mocinha! Já, já vai poder comer o patê – Dizia minha mãe levando o patê e algumas torradas ate a mesa. – Pronto! Já pode pegar – então ela afagou os cabelos da Lucy, junto a um sorriso confortante.
- Oi mãe – eu disse enquanto me sentava.
- Olá filho! – os olhos dela pareceram reluzir espontâneos... Mas, obviamente, a animação daqueles olhos não era real. Ela apenas fingia estar tudo bem, no intuito de me confortar e, confortar a Lucy. – Como foi na escola?
- Normal – respondi durante uma mordida num misto-quente.
- Hm... Mas, normal como? Seu primo estava lá? – ela insistia em puxar assunto.
- Sim, ele estava mãe e, sabe, não quero falar sobre a escola.
- Eu sei que ainda esta ressentido com tudo que ocorreu com... – a mesma se interrompeu, não citaria meu pai. Lucy já estava um pouco melhor em questão a isso, há pouco tempo atrás ela estava sofrendo com diversos pesadelos, por causa da perda... São lembranças que não devem ser relembradas por uma garotinha de sete anos.
- Eu só não quero falar sobre o assunto – disse eu com o olhar cabisbaixo.
- Eu sei bem como se sente, mas, não deve guardar tanto ressentimento... – eu sei que minha mãe apenas tentava recuperar a pessoa que sempre fui, mas... Só não quero que toquem neste assunto, minha mente já é um fardo e tanto, sempre envereda neste assunto sem que eu permita!
- Será que da pra parar!? Eu... – a este ponto eu franzia o cenho e cerrava a as mãos com força gradativa. – Eu realmente não quero relembrar aquele dia!... Mas, não consigo! Só não quero que toque neste assunto novamente!
Ela desviou o olhar, hesitante; ajeitou os cabelos curtos repicados por trás da orelha.
- Me desculpe... – eu disse arrependido.
- Talvez você tenha razão... Talvez eu tenha mesmo que parar de trazer este assunto à tona e, deixar que as coisas fluam naturalmente.
Desviei o olhar e, notei que Lucy permanecia anestesiada, paralisada; os olhos se enchiam de água, sua feição denunciava sua incredulidade em frente à discussão... O patê que tanto ansiava, agora mantinha seu lugar numa torrada desolada com apenas uma mordida.
- Oh... Lucy, não chore – dizia minha mãe, enquanto tateava suas mãos trêmulas.
Levantei-me, largando o misto-quente sobre a mesa.
- Não vai terminar de comer? – indagou minha mãe.
- Perdi a fome – respondi de ombros.
Subi as escadas rapidamente e fui ate meu quarto. Passei a noite inteira no computador, tentando me distrair, nem ao menos desci quando minha mãe me chamou para jantar. Durante a monotonia da noite extremamente maçante, por algum motivo digitei o número: 21 no site de busca – google – alguma coisa me instigava a pesquisa-lo, como uma voz, não aquela que tanto me perturbara, mas, uma que vinha do meu próprio eu; sentia vontade, sentia muita vontade de descobrir o que aquele número significava.
Lá se estampava milhares de tópicos, com diversos conteúdos, mas um em particular me chamou mais atenção, o título se mostrava escrito: ‘’21, o fim do mundo!’’ cliquei de imediato, e uma pagina extensíssima se mostrou num tom alaranjado – como o pôr do sol, ou uma espécie de eclipse solar – deslizei o mouse sobre a pagina da web e me deparei com um artigo, do qual o titulo:‘’A PROFECIA MAIA’’ me fez lembrar do conteúdo estranho que saíra de minha boca durante a aula de História. Iniciei a leitura do artigo, meus olhos se fixaram de tal modo que não conseguiria interrompe-la.
A dissertação dizia que na data 21 do 12 de 2012, o mundo chegaria ao fim... E toda essa ideia maluca de fim do mundo, havia sido tirada da chamada: ‘’profecia maia’’, a mesma era relativa a um calendário – tzolk’in – que possuía a contagem longa, da qual ultrapassava séculos e séculos do tempo em que o povo maia vivera e, por algum motivo terminava nesta bendita data. Pra falar a verdade eu já possuía certo entendimento sobre alguns assuntos do tal calendário... Mas devo admitir que um calafrio perturbador cobriu minhas extremidades, fazendo com que meus poucos pelos da nuca se erguessem amedrontados.
Foi neste exato momento em que ouvi passos sutis em direção ao meu quarto, eu sabia que era minha mãe, bom, se fosse a Lucy era viria correndo feito louca. Desliguei o monitor do computador, ligeiramente, e pulei na cama me cobrindo com o cobertor, virando o rosto para o lado oposto da porta; ouvi a porta se abrir e notei que o quarto se clareava gradativamente, de repente a porta pareceu parar... Ouvi ao fundo um suspiro desanimado seguido de uma pergunta:
- Filho... Ainda está cordado? – questionou minha mãe, enquanto eu me mantinha calado. – Eu só queria que não ficasse com raiva de eu ter lhe enfiado aquela conversa... – disse ela, mesmo sabendo que talvez eu estivesse dormindo. – Eu sei como se sente... Sei bem como é acordar todos os dias e, não ter expectativa do que virá; parece que seu pai fazia parte do meu futuro... Mas, eu sei que não faz nem parte do meu presente, e por mais que eu tente esquece-lo parece que o vejo todos os dias em seu semblante... O mesmo jeito, os mesmos gostos e os mesmos olhos verdes radiantes... Você e Lucy são tudo que eu tenho agora, e você parece estar tão perto, mas ao mesmo tempo tão longe... Eu só não queria dormir sem lhe falar o que penso – ela permaneceu calada, sem se mover, cheguei a pensar em saltar da cama e abraça-la... Mas sou muito cabeça dura!
Meus olhos se encheram de água, mas continuei quieto sob o cobertor, fingindo dormir. Ela fechou a porta sorrateiramente e eu... Dormi sem libertar nem mesmo uma palavra, juntamente a meus pensamentos que mesmo sempre tão impertinentes também não induziam opiniões.
2º capitulo:
Abri meus olhos aterrados, inquietos sob a escuridão total... De novo eu me deparava com aquele pesadelo impertinente!... Corri as presas com minhas pernas trêmulas, acovardado, fugindo em direção ao nada... Tudo que se estendia a minha volta se mostrava sem cor, apenas um breu...
- Andrew... – aquela voz novamente! A voz que tanto me perturbara, voltara! – Andrew... – a mesma repetia meu nome insistentemente, no intuito de que eu a atendesse... Ela soava afável, mas, aterrorizante assim mesmo.
Enterrei as mãos em meus cabelos – confuso –, completamente perturbado; espreitei os olhos e contraí as mandíbulas, já dominado pelo medo.
- Me deixe em paz! – ordenei à voz com um berro.
- Andrew... Não tenha medo... – pronunciou a voz, em meu cangote.
Virei-me de imediato... Mas nada parecia ter se aproximado...
- O que quer?! – indaguei ríspido, sem nem ao menos saber quem ou oque era o autor da voz.
- Se permitir, posso lhe conceder as devidas informações que deseja – hora eu podia ouvir a voz ressoar por todo o ressinto inexistente, hora ela se propagava em minha mente supérflua, e hora acariciava meus ouvidos perto a meu cangote.
Ajoelhei-me já em prantos... Eu não sabia ao certo o porquê de me encontrar chorando, mas... Parecia que tudo que se restringia dentro de mim, agora se esvaía como minhas lagrimas; minha mente recriava lembranças numa nostalgia perturbadora, recheadas de ressentimentos corrosivos. Foi então que a visão de meu pai sorrindo enquanto folheava um amontoado de papeis impressos sobre a mesa do escritório, me veio aos olhos.
- Suponho que queira enveredar neste assunto, não? – indagou a voz, de repente; naturalmente eu perguntaria do que ela estava falando, mas não, eu sabia exatamente o que ela dizia... Ela sugeria uma conversa, mais especificamente, sobre meu pai.
- Por quê?... Por que quer que eu fale sobre isso? – perguntei confuso.
- Não... Não sou eu quem deseja, é você...
Eu não queria admitir, mas era verdade! Precisava trazer este assunto, tirar tudo a limpo em minha mente!... Este assunto obscuro sobre meu pai... Afinal, porque não ter um dialogo com essa voz? Era tudo um sonho e, alguma coisa me instigava a dizer todas as verdades, eu sentia que todos os assuntos profundamente enterrados nas fendas de minha mente, já flutuavam a minha volta... ‘’Se eu libertar meu sentimento a partir de minhas palavras, apenas estarei fazendo uma terapia’’ pensei, me auto confortando.
- Bom, não sei bem por onde começar – anunciei, fitando a escuridão como se visse minhas lembranças.
- Inicie quando e como se sentir melhor, Andrew... – eu sentia que estava mais intimo daquela voz, mesmo que seja estranho.
- Começou em um dia qualquer, o sol brilhava forte, o dia estava excelente... – após eu iniciar minha suposta terapia, um cenário surgiu subitamente após uma ligeira piscada minha... Minhas lembranças agora se tornavam realidade, pelo menos naquele âmbito inexistente, tudo que vinha a minha mente se encontrava a minha volta... Podia ver e sentir tudo, como se voltasse no tempo.
Logo quando cheguei em casa naquele dia ... Bem, ‘’estava’’ excelente, ate a hora em que cheguei da escola. Larguei a mochila sobre o sofá e corri direto para o escritório do meu pai, junto a um sorriso alegre no rosto e... Quando finalmente abri a porta... Vi meu pai escorregando da cadeira e se ajoelhando, sua feição era de extrema dor, ele franzia o cenho enquanto mantinha sua mão sobre a barriga como se amparasse a dor que sentia, a outra mão se encontrava cerrada